Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Fim

O Notas Várias tem aqui o seu fim oficial, depois de algumas semanas de relativo abandono por parte dos seus membros. Por variadíssimas razões, entre as quais se incluem o facto de andarmos por outras galáxias, decidimos fechar o nosso Notas.

Sei que, por via da regra, os bloggers se levam muito a sério, e não queria fazer deste meu último post uma longa e delicodoce cantilena de despedida. Mas as horas que aqui passei e as pessoas que aqui conheci obrigam-me a escrever umas linhas sobre o que foi este endereço no Blogspot.

O Notas Várias nasceu da minha vontade de escrever "umas coisas", de "ter um blogue"; basta olhar para a ingenuidade e para a procura do tom certo — e já agora, para os posts ridículos — dos primeiros tempos de Notas. Em Junho de 2004 juntou-se ao blogue a nossa primeira aquisição, o meu amigo Tiago Simões de Almeida, que me arrancou muitas gargalhadas com as suas crónicas de pendor social e com quem tive umas quantas (saudáveis) contendas políticas — e sobre filmes portugueses. O meu caro Pedro Rodrigues Bizarro entrou para aqui em Janeiro de 2005 e passou a contribuir sobremaneira para a qualidade do blog com o seu olho clínico no que toca a questões políticas e com os seus remoques pertinentíssimos — "tribalismo acéfalo" só mesmo no que diz respeito a uma certa equipa de futebol! E em Fevereiro desse mesmo ano entram para o team a Cláudia Raposo Correia e a Joana Mendes, duas grandes amigas dos tempos do liceu. A Cláudia trouxe-nos opiniões e constatações desligadas de "escolas" e "tribos" e de um pragmatismo inteligente. A Joana... bem a Joana andou mais ocupada com Santos Agostinhos, Tocquevilles, Maquiaveis, Hobbes e Arendts, mas corre o boato de que chegou a postar no Notas! Em Janeiro de 2005 começou a colaborar connosco o Tiago Geraldo, que apenas conhecia de uma acirrada troca de comentários que tive com ele num outro blogue, do seu A Direito e de um encontro no É a cultura, estúpido! (ou estarei enganado?) a que fui com a Cláudia, amiga comum. Apesar disso, foi aclamado unanimemente pelos demais como co-blogger, e o seu polémico estilo e a sua escrita tão garbosa quanto incisiva enriqueceram ainda mais o Notas. Foram estas pessoas que não deixaram o primeiro escriba afundar-se numa série de posts desinteressantes e fizeram do Notas o que ele foi. Sem esse "contraditório", esse permanente estado de crítica inteligente, o blogue teria sido mais invisível do que é.

Só por isto o Notas Várias foi muito importante para mim. Também foi por outras razões, como o facto de me ter obrigado a ganhar consciência política relativamente a certos assuntos e de ter aprendido muita coisa — sim, aprendi muito aqui na blogosfera — mas conviver com aquelas cinco pessoas (e até no caso de uma delas conhecê-la) neste meio é priceless.

Gostaria ainda de deixar uma palavra de apreço a todos aqueles com quem troquei posts, concordei ou tive polémicas, destacando o Tiago Mendes (já agora, a entrevista ao Miniscente é de antologia) ou o Luís Pedro Coelho (esse bloguista "anónimo" que cumpre seguir atentamente); e de lembrar que foi através dos blogues que tive a benção de conhecer pessoas como o João. A todos os que comentaram, com ou sem a pertinência e o desapego de um /me, zum Beispiel, o meu muito obrigado, extensível ao António Ramos Preto, a pessoa que mais feedback do blog me deu em ambiente offline, e à Sandra Cardoso, a nossa leitora mais fiel.

Quem sabe, voltaremos (eu e os demais desalojados) aos blogues. Mas a única coisa que agora temos como certa é que nas férias do Natal estaremos juntos num bar ou na casa de um de nós.

Até breve.

Nota: os arquivos do blogue continuarão, evidentemente, online.

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Precisamente

A propósito da infernal discussão sobre a entrada da Turquia na UE diz Miguel Vale de Almeida:
Quanto ao estado da democracia, dos direitos humanos ou da liberdade religiosa na Turquia, que dizer então das xenofobias, exclusões sociais graves, hegemonias religiosas ou homofobia institucionalizada de recém-integrados como a Polónia ou a Letónia, e de países que vão entrar como a Roménia?
Na Europa há quem não queira olhar para os que já cá estão e para as suas "europeias" atitudes mas a verdade é que qualquer discussão sobre a entrada de novos estados-membros devia começar precisamente por aqui.

Domingo, Novembro 12, 2006

Terás sempre a Laura



Na edição de quarta-feira do Tageszeitung, jornal alemão alinhado à esquerda, o grande título da capa era "Nur noch Laura liebt Bush", qualquer coisa como "Apenas Laura gosta de Bush". Está bem apanhado, convenhamos.

Coisas simples

Os clássicos da Penguin a 3 euros já fizeram mais pela leitura em Portugal do que qualquer "plano nacional" fará. Sem ponta de sarcasmo.

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

O peixe morre pela boca

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Os isentos descodificadores

Leio que a SIC Notícias começou ontem a emitir um programa produzido em colaboração com a Ordem dos Advogados. Chama-se, precisamente, "Justiça na Ordem" e tem como objectivo "aproximar a população dos principais actores judiciais" e "alterar a actual conjuntura". Segundo consta, Rogério Alves, vai, então, falar-nos dos problemas da justiça portuguesa e dos meandros mais obscuros do juridiquês em blocos de quatro minutos.

Eu percebo que haja um programa deste tipo na televisão portuguesa - acho louvável, até, num país em que os tais "actores judiciais" se fecham no seu castelo de sapiência e estão convencidíssimos de que a sua inatingível e imperceptível verborreia balofa é igual a rigor e erudição. Mas já não percebo que se convide o representante máximo de um dos tais "actores" para, naquele tempo de antena diário, falar objectiva e imparcialmente dos problemas da justiça.

Por muito lúcido e claro que Rogério Alves seja - e aí ele é inatacável - não nos podemos esquecer que está à frente de uma Ordem (por natureza?) corporativa, numa altura em que a profissão de advogado tal qual a conhecemos está em causa mas Ordem quer manter a sua coutada bem preservada e controladinha (ver estes dois posts no Reforma da Justiça). E numa altura também em que se começa a perceber que as ordens (dos Advogados, dos Médicos, das profissões que ainda não têm uma mas querem - I wonder why...) não estão a ser aquele garante do regular desempenho profissional dos seus membros, com capacidade auto-sacionatória a funcionar efectivamente, mas uma mera consagração institucional de um cartel - a Ordem dos Médicos disse que os seus profissionais não deviam estar sujeitos ao Direito da Concorrência, lembram-se? E o que dizer da também institucionalíssima palmadinha nas costas aos médicos negligentes? Enfim, isto para dar dois exemplozinhos do approach com que podemos contar neste programa. Nada contra Rogério Alves, como disse, mas que não se faça dele um mago descodificador acima das actuais querelas jurídicas.

Será que precisamos tanto de uma chancela institucional para um programa ser credível? Ou de um título académico (exemplo clássico: o Professor Marcelo)? Não sei, mas sei que não me parece razoável dar um desproporcionado tempo de antena a um dos agentes da justiça para da justiça falar. Sobretudo agora.

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

O Holocausto autêntico que se vive nos "países próximos"

«Portugal em 1998 conseguiu conter a principal maré ideológica do nosso tempo. Se o aborto tivesse sido liberalizado, sofreríamos agora a confusão de temas que países próximos, com leis mais "avançadas", sofrem. E viveríamos os terríveis estragos humanos que por lá se vivem», continua o Professor das Neves.

Esta gente leu Huntington e nunca mais quis outra coisa

«Na dinâmica das civilizações, a dissolução doméstica, promiscuidade sexual e obsessão venérea são sempre sinais de decadência, não de desenvolvimento. A Europa vive já uma grave crise de valores e uma catástrofe demográfica, que lhe serão fatais na dinâmica global dos blocos», assevera João César das Neves no DN de hoje.

Eis, Senhor Arquitecto, um desses sinais de decadência e atracção pela morte



Isto a propósito das seguintes palavras do Arquitecto José António Saraiva, lidas aqui: «A atracção pela morte é um dos sinais da decadência. [...] Discute-se o aborto. Discutem-se os casamentos homossexuais (por natureza estéreis). Debate-se a eutanásia. Promove-se uma cultura de morte [...] Será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura de morte? Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?»

E se faz favor, alguns dos "sinais de decadência" apontados não são exclusivo da esquerda. Felizmente.

[O vídeo também se encontra no Andrew Sullivan's Daily Dish. Obrigado Jorge M. pela referência]

Sábado, Outubro 14, 2006

Vamos brincar à caridadezinha

Esquerda e Direita Beata partilham algo que Yunus recusa: o paternalismo em relação ao pobre. A boa vontade, das brigadas da Verdade e da Bondade, precisa de uma coisa: que o pobre continue… pobre. A intenção não é erradicar a pobreza; o objectivo é fazer com que o pobre não sofra... tanto. A intenção não é resolver a causa do problema.
Henrique Raposo a propósito de Muhammad Yunus.

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

A+B = B+A

"Se és pró-guerra, anti-igualdade e achas que o buraco do ozono é inofensivo, como te podes chamar pró-vida?", é um dos slogans propostos pelo boss para aqueles que na temática do aborto estam na barricada "pro choice". Não compreendo, e acho que frases redutoras deste tipo são altamente ineficazes e até contraproducentes. E mais do que isso, completamente reversíveis: ainda há poucos dias li uns quantos comentários do tipo "és pacifista, a favor dos direitos dos animaizinhos todos mas defendes o aborto" a um post de alguém favorável ao sim no próximo referendo.

E eu a pensar que era óbvio que a posição de uma pessoa sobre a guerra no Iraque, a protecção dos marsupiais ameaçados ou a política cultural da Doutora Isabel Pires de Lima não tinha nada a ver com IVGs.

Adenda: Também é triste perceber que a história de o aborto continuar crime mas com a pena de prisão legal e obrigatoriamente suspensa está a entrar na opinião pública mainstream. E mais grave ainda, gravíssimo aliás, pela mão de reverendos juristas. É assim que se dá ao respeito, com crimes que são apenas soft law ou que se espera que não sejam aplicados pelos juízes (!), a tão excelsa quanto balofa "Escola Portuguesa".

Quem diria que "Grandes Portugueses" é um mero programa de entretenimento

O voto útil e as estratégias políticas também passam, ao que parece, pelo concurso."Eu vou votar em Álvaro Cunhal! Um homem de príncipios, valores e coragem. É um voto a favor de valores e contra o velho bolorento, cinzentão, forreta, fascista, ditador e que nem coragem para ser tirano teve, o voto anti-Salazar será em Cunhal", diz alguém num comentário a um post do Arrastão.

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

Tão grande como os maiores da Europa

Sábado, Setembro 02, 2006

Adiós, adieu, auf wiedersehen, goodbye



Espero bem que te convertas. Um abraço e boa viagem!

Bernardo Über Alles

De cocuruto amarelo, olhos claros, cara branca. Uma certa dignidade no escrever e a mesma dignidade no falar. Por mais que tenha tentado, o Bernardo nunca soube esconder a sua setentrionalíssima nacionalidade. Erasmos em Munique? Nós fingimos que sim. Mas a verdade é que o Bernardo regressa (por momentos) à civilização. Isto é, à sua casa.

Com um abraço,

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

O que se repete todos os anos

Várias são as coisas de que não gosto no periodo de férias: o calor excessivo, os lugares de estacionamento que não existem, as praias demasiado cheias, a frase que as minhas tias repetem todos os anos: "estás tão crescida!", mesmo sabendo que há anos que não cresço, as crianças e a floribella, as festas na minha rua e os amigos estarem quase todos longe ou com um pé na Europa...
Nunca mais é Inverno!

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Turismo Revolucionário

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Era tão bom

que César das Neves só escrevesse sobre assuntos económicos. Ou que os artigos predominanente sociais fossem mais influenciados pelo seu liberalismo, por ora restringido à economia.

Isto a propósito do seu "O que todos sabem e alguns fingem ignorar".

Os intelectuais fazem falta em Portugal?

Os intelectuais têm o importantíssimo papel de estimular o debate ideológico e contribuir para que um público mais alargado possa fazer opções políticas em consciência. Este papel renovador do debate está a ser cumprido pela nossa elite do pensamento? E está a ser cumprido em momentos de crise internacional como o que vivemos?

Quando os intelectuais deveriam assumir a voz da sensatez, do discernimento e da razão face às paixões cegas do maniqueísmo, assiste-se à partidarização mais primária das posições de um lado e do outro.

Vicente Jorge Silva no DN de ontem

Uma coisa são as posições mansas, os passos tímidos, as opiniões intermédias e não é disso que VJS faz apologia. É de um debate "com ironias, com brocardos, com recursos estilísticos, com silogismos, com tudo o que vos apetecer. Mas sem nos catalogar e rotular de adversários da vida, da humanidade ou da civilização".

Vale a pena ler o artigo completo.

Sábado, Julho 22, 2006

No news, good news

A crise que se está a viver agora no Líbano é perfeita para se perceber como vai andando o nosso jornalismo.

Estive fora do mundo alguns dias, e quando voltei já a ofensiva israelita tinha começado. Tentei perceber o que se passava pelos nossos telejornais mas não consegui; mudei para a BBC World e e em dez minutos esclareci as minha dúvidas factuais fundamentais.

Nos telejornais portugueses pode-se até falar do Líbano durante quarenta minutos e fazer interrupções a meio a propósito dos desenvolvimentos mais recentes, mas no fim ninguém percebe realmente o que é que se está a passar. Os nossos jornalistas (sobretudo os de televisão) limitam-se a mastigar as reportagens internacionais, e ainda por cima mastigam-nas mal. Dão como "breaking news" coisas que já aconteceram há horas (ou dias). Não têm ponta de espírito crítico (distinguir de jornalismo opinativo, coisa que vai havendo...). E acima de tudo falta-lhes síntese, organização, encadeamento. E contextualização — duvido que haja muitos especialistas em geopolítica entre os dez milhões de portugueses....

Duas notas finais:
1. Informar não é dar ao telespectador uma amálgama amorfa de reportagens.
2. Uma certa parte dos especialistas no 'métier' jornalístico andou estes anos todos a fazer uma lavagem ao cérebro às nossas elites dizendo que os jornalistas sairiam muito mais bem preparados se se formassem em cursos próprios. Esta nova geração de jornalistas formou-se toda em comunicação social, teve "n" cadeiras impingidas como essenciais à sua formação e o curso prepará-la-ia para fazer uma reportagem decente. É tempo de repensar um bocadinho estas licenciaturas light.

Coisas óbvias

Há uns tempos escrevi umas palavras sobre o artigo de Pedro Picoito na última Atlântico. Fui acusado de ter feito "a coisa mais fácil do mundo, defender a pluralidade. [...] Sim os gays são tão diferentes entre si como os heterossexuais mas o que quer isso dizer? Sabes eu acho que não quer dizer nada. [...] Diz-nos qualquer coisa que a gente não saiba já".

Pois bem, a mesma pessoa que nos diz isto respondeu a um comentário de um outro leitor do Notas da seguinte maneira:
temos bicha!
Andava à sua procura dinake... Preciso de si para saciar as minhas curiosidades e já que se ofereceu espero que não fuja com o rabo... bem acho que percebes onde quero chegar...
Quanto à palavra cinismo que tiveste vontade de ir procurar no dicionário mantenho o que disse e até te digo mais és uma bicha parva porque de facto o teu comentário e a tua comparação é que é cinica (segundo as palavras que me foste buscar)...
Cinismo ali não se aplica.
Quanto às referências ao meu blog que eu tenho vontade de publicitar agradecia que metesses no cu essas tuas recomendações já que como bem sabes eu não preciso que sejas tu a dizer-me o que eu devo ou não fazer para o publicitar - mas deixa que te diga que tem resultado...
Quanto às parvoíces que vais dizendo por aqui vou só dizer uma ou outra coisa mas se quiseres um dia temos uma conversa já que por aqui não vamos chegar a lado nenhum... Posso escrever-te para o teu mail posso.

"E isso é porquê, mesmo? Por gostarem de pessoas do mesmo sexo? Em que é que isso as diminui? Torna-as menos aptas a trabalhar? A pagar impsotos? A ir para a guerra? A ter opinião política? A ter opinião? A ir à escola? A morrer? Em que é que isso afecta tão grandemente a tão aclamada sociedade (a que pelos vistos os gays não pertencem)?"

Em fórmula de perguntas deixa-me ver se te ponho a dar um beijo no teu próprio rabo ---
1. Tu não trabalhas gay? Alguém te tem impedido de trabalhar por seres gay? Eu disse que achava que não devias trabalhar gay?
Com certeza espero que pagues os teus impostos...

3. Não tens opiniões gay? Não estás aqui a discuti-las maluka?

2. Alguém te impediu de ires para a guerra gay? Epá vai vai gay... acho que ninguém te vai tentar impedir a não ser talvez... bem não vou entrar por aí.

3. Nunca foste à escola gay? Acho que nunca te impediram de ir à escola... pois não gay?

4. Ainda não morreste pois não gay? Mas nisso acho que estamos os dois seguros... Ainda não mas o teu dia vai chegar.

---- Em que é que isso afecta tanto a tão aclamada sociedade--- em nada mas eu disse que ainda não tinham os tais direitos, tens direitos como qualquer pessoa singular e heterossexual porque a sociedade ainda não faz distinções... Mas tu queres essas distinções, não queres gay?
Talvez se tos garantirem eu te diga em que é que afectam a sociedade para já é só uma discussão a mais...


"Ó criatura se não existe de momento o que é que queria que fosse, uma hipotese do passado?"

Ó criatura abichanada eu não quero que seja nada, mas é. É uma pretensão de criaturas abichanadas... É não é?

"E como fazer isto? Reprimindo a homossexualidade em sitios próprios, impossibilitando, por exemplo, o casamento, que permititra à população em geral um mamior visionamento de o que é realmente um homossexual? Mhh... Não me aperece, e a si?"

Quais sitios próprios!? Eu não te quero por aí como já tenho visto aos beijos com um gajo e na marmelado numa paragem de autocarro como um COMUM casal heterossexual... não quero não... sou demasiado burro e conservador para pessoas tão à frente e inteligentes.
O casamento dá-vos exactamente isso visionamento público mas quem vos disse que agente vos quer aceitar dessa forma, se calhar aceitamos que a homossexualidade existe e admitimo-la na intimidade --- mas publicamente... Não.

Quanto a se és promiscuo ou não isso diz-te respeito a ti, posso perguntar-te se já tiveste alguma relação sem furos de infidelidade durante um prazo aceitável como 7 anos e não acredito se me disseres que sim, tu podes dizer, pode ser verdade, eu posso não acreditar... ahh mas também podes estar a mentir, mas não espera tu não mentes maluka!

Vivem na clandestinidade porque ainda não são aceites... E isto pode ser agressivo pessoalmente para ti mas se eu te vir na rua com o teu gay aos amassos eu sou gajo para pensar e se calhar andar com amigos fazer-te passar um mau bocado... Porque será? Porque se calhar também passo um mau bocado (como já passei) quando vejo essas intimidades entre larilas na rua...* Culpa a minha intolerância, não interessa enquanto formos mais somos um perigo para esses desejos de sair da sombra.

"Bem, num estado onde se diz que todos são vistos da mesma forma perante a lei, SIM! É assim tão óbvio?"

Ó besta apaneleirada mas é exactamente essa a minha tése... para mim não mereces menos nem mais direitos que eu... és igual a mim digas o que disseres... podes optar por andar na ramboia com gays mas isso não te dá direitos só porque te facilitaria a vida.

Não sei quantos homossexuais conheço mas são alguns...

------Muito importante-------
Agora no final peço-TE desculpa pelas ofensas mas estou a falar com o sentimento que provocaste em mim e assim isto sai-me melhor... Tás à vontade para me ofender sem limites... Peço desculpa aos donos do blog e espero que não sintam isto como um excesso afinal é uma forma de expressão sem o carácter mariconço de quem anda para aí a matar dizendo antes "com sua licença"

[os bolds são meus]
Pois bem, não há muitos comentários a fazer ao que consigo perceber da "argumentação" do Diogo. Limito-me a dizer que pelos vistos há coisas que não são assim tão óbvias para toda a gente. Diogo, aja em conformidade com as "evidências" ou então discorde e diga que o que é óbvio para mim não é óbvio para si. Decida-se.

E uma coisa é discutir. Outra ofender (sobretudo amigos da casa). Mas isto é óbvio e já todos nós sabemos, não é?

*Esta parte do comentário devia ser destacada a cores. Mas depois podiam-me chamar "maluka" ou outros epítetos quejandos.

Terça-feira, Julho 18, 2006

Nós

Ensinar Direito em Portugal

Um aluno de direito português não tem de saber mais do que aquilo que a faculdade de direito está preparada para lhe ensinar. Não deve estudar economia na faculdade de economia com professores doutorados em Harvard ou na LSE, porque há um sábio mestre que ensina economia política há cinco décadas, publicou um manual e sabe tudo o que há para saber sobre a matéria. Não deve estudar ciência política com um politólogo doutorado em Oxford ou Chicago, porque o professor de direito constitucional publicou há três décadas o primeiro tomo do primeiro volume de um curso de ciência política em que classificou todos os regimes, sistemas e formas de governo políticos, que é de dizer tudo aquilo que um jurista precisa de saber sobre o assunto; não pode ousar migrações conceptuais interdisciplinares, ainda que cautelosas, porque é uma heresia atacar o pedigree da intelligentsia jurídica.
No mui recomendável Reforma da Justiça

Segunda-feira, Julho 17, 2006

Disfuncionais

Há por aí um estudo qualquer que diz que 49% dos portugueses são analfabetos funcionais. Analfabetismo funcional* e analfabetismo tout court são coisas diferentes, é certo, mas o número apresentado sempre me pareceu manifestamente exagerado.

Tenho encontrado, contudo, nos últimos tempos provas da exactidão de tal estudo. Basta ver um vox populi qualquer para perceber que um preocupante número de pessoas não sabe sequer articular uma frase de forma satisfatória. Ou ir a uma aula de código para constatar que se contam pelos dedos as pessoas que sabem fazer uma coisa tão simples como usar a fórmula certa para responder a uma pergunta ou que respondem com exactidão ao que lhes é perguntado (e usei propositadamente o exemplo das aulas de código, onde os temas tratados não são os mais filosóficos e/ou propiciadores de debate intelectual elaborado).

E a meu ver, a qualidade do nosso ensino afere-se por esta disfuncionalidade na comunicação humana. Era bom que os nossos planeadores se lembrassem que, para irmos mais longe e levarmos as TICs a tudo o que é gente e dar banda larga aos velhotes e transformar portugal numa pequena Finlândia, primeiro temos que nos entender uns aos outros.

*Um analfabeto funcional é uma "pessoa que, mesmo sabendo ler e escrever frases simples, não possui as habilidades necessárias para satisfazer as exigências do seu dia-a-dia e se desenvolver pessoal e profissionalmente" (critério da UNESCO)

Já acabou?

Bush disse uma palavra feia quando almoçava com Blair. Usou linguagem inadequada, dizem alguns, talvez depois de terem consultado a Bíblia. E agora, virgens de vigésima quinta hora, qual é que é a notícia?

Sábado, Julho 08, 2006

As Excelentes Senhoras

"O olhar feminino sobre a política é mais distendido, culturalmente mais aberto, em que a conflitualidade existente se centra mais no essencial e nos valores e menos na pequena disputa do poder", declarou o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, ao Público. (...)

Sendo certo que sou contra as quotas, percebo que se procure legitimar a sua existência como forma de correcção de uma injustiça - a não representação de mulheres nos partidos. Agora este palavreado do "olhar feminino sobre a política" e outras palermices paternalistas é que não. Tudo menos legitimarem uma decisão política com uns dislates sobre as excelências da alma feminina.

Contudo, tenho de reconhecer que o pior está para vir. Para Janeiro do próximo ano está marcado um novo referendo sobre o aborto. E esse assunto como nenhum outro presta-se ao desfile das Excelentes Senhoras. À cabeça vêm as operárias têxteis grávidas e abandonadas quer pelo namorado que as trocou por outra, quer pelo patrão que trocou o Vale do Ave pela Polónia. A estas Excelentes Senhoras representantes do desaparecido proletariado juntam-se as Excelentes Senhoras dos movimentos pela vida, dizendo às anteriores que tenham os filhos que elas lhos criam. No meio, uns homens enumeram argumentos pelas causas das suas Excelentes Senhoras com a mesma sapiência com que o Pierrot desfiava as alturas e nomes dumas serranias que davam pela improvável designação de Caldeirão ou Mu.

Ter de aturar este calvário no ano da graça de 2006 é algo de profundamente enervante. As mulheres não vivem num enredo eo Alves Redol nem num daqueles posters do "Amor é..." As mulheres são sujeitos de vontade, estudam, trabalham, pagam impostos e já lhes basta, em Portugal, terem visto a matéria da interrupção voluntária da gravidez ser sujeita a referendo graças a Marcelo e Guterres. Para estes ex-líderes e outros infelizmente não ex como Alberto Martins, as mulheres não são mulheres mas sim Excelentes Senhoras cujos assuntos eles mantêm em terçarias. (...)
Helena Matos no Público de hoje

Terça-feira, Julho 04, 2006

Os portugueses, esses pioneiros

A propósito do tema dos casamentos gay, não resisto a partilhar algo que ainda deu para umas quantas gargalhadas aquando da primeira leitura:



[Retirado de Andrew Sullivan (coord.), Same-Sex Marriage: Pro and Con - A Reader]

E ainda dizem que o casamento gay é uma coisa de agora...

Os homossexuais, esses doidões

O Pedro já se referiu — em termos que subscrevo em absoluto — ao artigo de Pedro Picoito na última Atlântico sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Com uma ressalva. O Pedro acha-o bem escrito. Minimamente inteligente, portanto.

Eu não consigo. Há uma passagem que me está atravessada:

Por que razão tentam os homossexuais entrar em instituições que sempre denunciaram como repressivas? Sentiram o apelo do altar e da boa acção diária? Querem trocar a liberdade de costumes pela moral religiosa? Ou a boémia elegante pela vida ao ar livre?
Permitam-me que desconfie.

Primeiro, é insuportável este tom condescendente e paternalista em relação aos homossexuais. Que são, de resto, todos arrumados no mesmo saco — e é tão cómodo...

Como reconhecer inteligência ao artigo de alguém que acha que uma pessoa, pelo simples facto de ser homossexual:
(1) tem uma certa orientação política
(2) é naturalmente amoral e avessa à religião
(3) leva uma vida de "boémia elegante"
(4) acha que as instituições vigentes, como o casamento, são repressivas, pelo que as tenta destruir
(5) é libertina, devassa e, pardon my french, mas a ideia é essa, fode com tudo o que mexe
(6) agora se lembrou do direito ao casamento por mero capricho?

Isto é inaceitável. E não é muito bom sinal que um comentador, que se presume ter um conhecimento das coisas um pouco acima da média, perpetue estes impensados.

É doloroso, acho, ter que lembrar a um cronista da Atlântico que ser gay não significa ipso facto nada em termos de opções sociais e políticas. Há gays liberais, gays conservadores, gays de esquerda, gays de direita. Gays que são a favor e gays que são contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Uns gostariam de ver o sistema subvertido, outros valorizam o conceito de família — a maior parte, de resto, porque também a esmagadora maioria dos homossexuais nasceu em famílias ditas "normais"...

É triste ver que há gente séria (como Pedro Picoito ou Pacheco Pereira) a achar que os gays — por serem gays — têm que ser contra o sistema, têm que ser os mais fervorosos arautos dos valores libertários. Não têm. Um homossexual tem direito a ser conservador. Ou reaça, se quiser.

Relembro o que escrevi há uns tempos sobre o assunto: «Rodrigo Moita de Deus diz que "a principal vantagem de um estilo de vida gay é a liberdade de dormir com quem nos apetecer sem nunca correr o risco de, ao fim de uns meses, nos exigirem casamento e filhos"; José Pacheco Pereira diz que "poucas coisas conheço mais conservadoras do que reivindicar o “casamento” para os homossexuais". Este tipo de argumentação é, no mínimo, manhoso. Enquanto que os hetero podem decidir livremente se se casam ou não, se alinham no conservadorismo do casamento ou não, aos homossexuais não é dada essa opção (a menos que sigam o conselho de Nuno Melo). A maior parte talvez nem queira sequer casar-se (como, aliás, vai acontecendo com cada vez mais heterossexuais) mas isso deve ser uma escolha pessoal e não uma imposição.»

Segunda-feira, Julho 03, 2006

Ainda os exames nacionais

Uma pérola, este exame nacional de História do 12º (repito, 12º) ano. Qualquer dia pergunta-se o nome do primeiro rei de Portugal. Com escolha múltipla, claro.

Domingo, Julho 02, 2006

Este gajo ainda tem este emprego?


Sábado, Julho 01, 2006

Who's your daddy?

Comentários no final dos noventa minutos

  1. Incrível. Por um bambúrrio de sorte para os nossos lados, a Inglaterra perde Rooney, Beckham e Joe Cole. Para quem não gosta de fuebol (Bernardo) é o mesmo que Portugal sem o Figo, o Deco e o Cristiano Ronaldo. E nós não conseguimos marcar o raio de um golo!
  2. Vamos a prolongamento e podia ser pior. Como é que um jogador tão tosco como Peter Crouch (uma espécie de Jardel, mas sem banha) consegue safar-se várias vezes de uma roda de jogadores portugueses é algo que ultrapassa a minha compreensão.
  3. Como se vê, não somos só nós a saber jogar com menos um.

Comentários ao intervalo

  1. Quem é que se esqueceu de conversar com o Petit sobre as faltas à entrada da área? Please...
  2. O que esta selecção não seria se, em vez de uma bola de queijo, lá estivesse um avançado a sério.

Follow the leader

É só impressão minha, ou Pedro Silva Pereira anda a ver se consegue ficar parecido com José Sócrates?

Sobre a saída de Freitas

Sobre Freitas e as opções políticas que tomou enquanto MNE já falei aqui várias vezes. E critiquei, como não podia deixar de ser, a posição adoptada pelo catedrático da FDUNL na chamada crise dos cartoons (cf. aqui e aqui) e que constitui, em meu entender, o pior momento da passagem do senhor pelas Necessidades. Poderia gastar algumas linhas a falar disso, a criticar um ou dois aspectos do trabalho do trabalho de Freitas no âmbito da União Europeia e das últimas crises diplomáticas ou a relembrar as suas entrevistas infelizes.

Mas por ora limito-me a destacar algo que diz respeito ao funcionamento interno do MNE e aos jogos de poder a que aquele ministério é tão atreito. Pelo que vou sabendo (pelos aplausos e pelo mal-estar que vou sentindo em algumas pessoas...), Freitas do Amaral estava a pôr ordem na casa, a disciplinar, como é sabido, as promoções de amigos por amigos, a acabar com formas de micro-poder que minam a legitimidade e qualidade do trabalho da diplomacia portuguesa, a racionalizar custos, a acabar com postos tão dourados quanto desnecessários, a substituir conferências inócuas por verdadeiras acções de formação e/ou reciclagem de agentes diplomáticos, a pôr gente a trabalhar e a pôr gente a trabalhar onde é precisa — na diplomacia económica, por exemplo, apregoada por quem quer que passe pelas Necessidades, mas nunca concretizada. E estas questões mais relacionadas com a disciplina interna do que propriamente com opções políticas de fundo não são de somenos importância quando falamos do MNE, como se sabe.

Sobre o casamento homossexual

Num artigo, por sinal muito bem escrito, na "Atlântico" deste mês, Pedro Picoito vem desenterrar a questão do casamento entre homossexuais, colocando três questões sobre o assunto, questões essas às quais, está bom de ver, o mesmo Pedro Picoito, afoito, se apressa a responder. Com o devido respeito, parece-me que o faz mal:

  • Quando afirma que os homossexuais "querem que a homossexualidade seja uma fonte de direitos", estabelecendo um contraponto em relação à luta dos negros norte-americanos ("comparar o incomparável", segundo Pedro Picoito), baseado na ideia de que estes se achavam portadores de direitos por aquilo que tinham em comum com os seus opressores (a condição humana), ao passo que aqueles se acham portadores de direitos por serem diferentes. Isto porque, alegadamente, os homossexuais "querem o acesso ao casamento em nome da diferença". Ora os homossexuais querem ter direito ao casamento pela mesma razão - a vontade de, entre si e perante o Estado, celebrarem um contrato com dadas características - e nos mesmos termos que o resto de nós. Algo perversamente, Pedro Picoito fala de "direito à diferença" como se a ideia fosse discriminar positivamente, quando o que se pretende, como o próprio autor indica logo no início do artigo, é "acabar com uma discriminação [negativa]", que subsiste em nome de um "não-direito" à diferença, sendo que a invocação do "direito à diferença" surge como oposição a este "não-direito" e à discriminação negativa que lhe está intimamente associada.
  • Quando defende que o artigo 36º da CRP é "por natureza discriminatório", exemplificando com os impedimentos dirimentes absolutos (1601º do Código Civil), Pedro Picoito, agora sim, "compara o incomparável", já que não há qualquer comparação entre as razões que presidem à imposição de cada um dos impedimentos dirimentes e as que poderiam obstar ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. "A idade inferior a 16 anos" justifica-se pelo facto de o legislador se ver obrigado a definir uma idade mínima para se poder contrair matrimónio, tendo estipulado esse limite precisamente na idade a partir da qual deixam de ser criminalizáveis os actos sexuais em si mesmos (excluindo as situações de violação, obviamente). "A demência notória" como impedimento dirimente tem como fundamento (além de possíveis razões de ordem eugénica) a protecção dos interesses do demente e de terceiros. Aliás, em princípio, os notoriamente dementes não têm capacidade para celebrar quaisquer negócios jurídicos sem representante, pelo que este impedimento, concorde-se ou não com ele, é coerente com uma determinada posição global do legislador. Já a existência de "casamento anterior não dissolvido" como impedimento é mais discutível, mas sempre o poderemos fundar nas dificuldades que se estabeleceriam ao nível da paternidade e da obrigação de alimentos, a par com os famigerados "bons costumes". Ou seja, todos estes impedimentos têm uma razão de ser jurídica, fundada em mais do que argumentos filosóficos, ideológicos ou confessionais. Como os actos homossexuais entre maiores de 16 anos não são crime, como os homossexuais têm capacidade para a celebração de todos os negócios jurídicos (com excepção do casamento) e como não se levantam decerto quaisquer dificuldades a respeito de paternidade ou obrigações de alimentos que não se possam resolver nos termos da legislação actual, não se vê o porquê da comparação feita por Pedro Picoito.
  • Quando cai no erro comum de associar o casamento, como contrato civil, à procriação, declarando que "a formalização jurídica do casamento teve sempre o objectivo prioritário de proteger a fragilidade social da mulher e dos filhos". Sobre este assunto, remeto para o que já escrevi aqui.
  • Quando defende que "os defensores do casamento homossexual não querem o casamento e os seus deveres, mas o reconhecimento social que o casamento traz consigo". Isto talvez seja verdade em relação a alguns, como é verdade, aliás, em relação a muitos (e muitas) heterossexuais, inclusive nos meios mais conservadores. Se o Estado não questiona (e não deve questionar) os motivos que levam os heterossexuais a casar-se, também não o deve fazer em relação aos homossexuais, não é?
  • Quando compara a luta pelo casamento entre homossexuais com as batalhas sobre a admissão de gays nos escuteiros (EUA) ou na Igreja Anglicana, Pedro Picoito volta a comparar o incomparável, pondo lado a lado organizações privadas (presumo que os "Boy Scouts" o sejam), que, por o serem, têm todo o direito de barrar a entrada a quem entenderem, e o Estado, que não pode, como Picoito afirma - e com toda a razão - no final do seu artigo, "usar a lei para impor uma conduta sexual".
  • Quando, num momento de particular alarmismo, escreve que "se conquistarem o casamento, os gays exigirão fatalmente a adopção". É possível. E então? Nessa altura se verá se isso é ou não aceitável. De qualquer forma, sempre será diferente permitir a duas pessoas a celebração de um contrato e possibilitar que nele seja "acolhido" um menor. Em todo o caso, o argumento de Pedro Picoito faz lembrar aquele com que Marcello Caetano justificava o uso obrigatório de gravata nas orais da Faculdade de Direito. Dizia Marcello que, por ele, nem achava que a gravata fosse essencial, mas receava que, se o código de vestuário fosse aligeirado, os alunos começassem a comparecer com o primeiro botão da camisa por apertar, depois com os dois primeiros, até que, no limite, se fariam os exames em tronco nu. Ora hoje em dia já se pode comparecer a oral na FDL sem gravata e, tanto quanto sei, nenhum aluno vai fazer oral em tronco nu.

Cem anos








Esforço, dedicação, devoção e glória

Sexta-feira, Junho 30, 2006

Mais vale tarde do que nunca

Segunda-feira, Junho 26, 2006

Para mais tarde recordar

Vou guardar este post de Ana Gomes no Causa Nossa.

Pride

Desci a Avenida da Liberdade neste fim-de-semana e tive a infelicidade de constatar que a triste cena de anos transactos se repetiu.

Mais uma vez, umas quantas centenas de pessoas decidiram ir para a rua mostrar o seu "orgulho", num ajuntamento tão insólito quanto disparatado. Eu não ando para aí a orgulhar-me de ter nascido como nasci, por exemplo, mas há quem não perca uma oportunidade para esfregar isso na cara dos outros.

Era vê-los descer a Avenida em trajes menores e com cores berrantes, todos pintados, fazendo um escarcéu monumental e obrigando-nos a ter que ver "aquilo". Porra, que deixem o orgulho em casa; já não há pachorra para este exibicionismo.

Mas não: eles gritaram e berraram que nem uns perdidos, entoaram palavras de ordem agarrados uns aos outros, insultaram os seus "inimigos". Degradante.

Bem sei que agora já estamos nos quartos-de-final. Mas mesmo assim...

Nota: não resisti a esta pequena laracha. Anyway, isto não diz nada sobre o que penso de gay parades e actividades afins ou do legítimo direito à festa dos adeptos de futebol, é só mesmo uma provocaçãozinha...

Quinta-feira, Junho 22, 2006

No comments

Outra pérola, desta vez no exame nacional do 12º ano de Português B (esta vai com link: para os mais incrédulos, é o exercício 1.3 do Grupo II), de acordo com o novo programa (esta ouvi a uma professora entrevistada):

"A expressão "não raras vezes" significa":
  • frequentemente
  • esporadicamente
  • muito raramente
  • em nenhuma ocasião

Isto para alunos do 12º ano. Já para não falar que o texto para interpretação é um excerto do "Memorial do Convento", fielmente reproduzido. Um exemplo, como se sabe, da forma como se deve escrever - especialmente a nível de parágrafos - em excelente português. Temos portanto Saramago e escolha múltipla num exame nacional de Português do 12º ano. Vou ali matar um sociólogo da educação e já venho.

Os exames nacionais como forma de propaganda.

Através da leitura do Público de hoje (sem link) dei de caras com o enunciado e com os critérios de correcção do exame nacional de Sociologia do 12º ano. A certa altura, o aluno depara(*) com o seguinte tema para desenvolvimento:

"Constitui hoje um dado inquestionável, decorrente de toda a pesquisa em sociologia da educação, que há desiguais oportunidades de sucesso escolar para as crianças que frequentam o sistema de ensino e que essas oportunidades são menores para as que são provenientes dos grupos sociais mais desfavorecidos. [...] É hoje consensual que a escola deve tomar como ponto de partida, para a sua actuação, o universo cultural das crianças que acolhe, de modo a reduzir a ruptura cultural sentida [...]"

No seu comentário, segundo o enunciado, o aluno tinha de "ter em atenção" (i) "a escola como agente de socialização" e (ii) "a escola e a reprodução das desigualdades sociais".
Passando ao lado das questões óbvias que o excerto levanta (como por exemplo a de saber se a adaptação de cada escola - logo, do ensino ministrado - "ao universo cultural dos alunos que acolhe" não tem como consequência lógica, desde logo, a inutilidade ou a injustiça subjacente à avaliação por exames a nível nacional, incluindo aquele em que se pode ler este excerto, já para não falar da própria convivência, na mesma escola, de alunos de "universos culturais" diferentes), o que me despertou a curiosidade foi a forma como a questão é exposta: como um conjunto de certezas absolutas, de "dados inquestionáveis" - e estamos a falar de asserções que estão longe de ser "consensuais", especialmente a segunda. O comentário que se pede ao aluno é totalmente acrítico, de natureza meramente corroborativa. Pode até pensar-se que o que é pedido é um comentário crítico - afinal, trata-se de uma mera citação! - mas leiam-se os critérios de correcção oficiais da mesma prova:

"Atribuição da cotação total [30 pontos] se o examinando elaborar um comentário ao texto, articulando-o com cada um dos aspectos a focar, desenvolvendo, nomeadamente, as seguintes ideias:
[...] - a escola, ao veicular a cultura dominante, cria "desiguais oportunidades de sucesso escolar para as crianças que frequentam o sistema de ensino", sendo "um dado inquestionável", como o evidencia "a pesquisa em sociologia da educação", que as probabilidades de sucesso escolar "menores para as" crianças "que são provenientes dos grupos sociais mais desfavorecidos", aos quais, geralmente, pertencem as crianças das minorias étnicas. A escola, que deve promover a igualdade de oportunidades e a superação das diferenças sociais, acaba por reproduzir as desigualdades sociais de partida, ao não garantir o sucesso escolar dos alunos."

Se o aluno não abordasse este ponto no comentário ao excerto, ser-lhe-ia(*) descontada parte da cotação da resposta (presumo que um terço do total).

Assim se transforma um exame num meio de propaganda a determinadas teorias sobre educação. Transformando o que é uma ideia altamente discutível numa verdade absoluta - coisa já de si difícil de encontrar numa ciência social.

A verdade é que o Ensino Secundário não faz mais do que formar carneiros. Não inculca nos alunos o mínimo espírito crítico, limitando-se a repetir como mantras certas "verdades inquestionáveis", "consensuais", com as quais os alunos se devem contentar, de preferência sem fazerem muitas perguntas. Assim se enviam anualmente cada vez mais alunos totalmente impreparados para o Ensino Superior - onde o facilitismo não se tem instalado com tanta intensidade -, do qual estes rapidamente desistem - ou, na pior das hipóteses, no qual ficam anos a fio, até que a faculdade os vomite cá para fora. Claro que, nessa altura, a culpa é da "elitização" do Ensino Superior Público.
(*) As palavras assinaladas foram corrigidas.

Segunda-feira, Junho 19, 2006

Interessante

Sábado, Junho 10, 2006

Alguém ouviu falar disto nos media portugueses?

Não? Pois... bem me parecia.

Terça-feira, Junho 06, 2006

The next best thing

Esta série de posts n' O franco-atirador podia chamar-se "the next best thing".

O homem certo no lugar certo

Li no Público de hoje que Manuel Alegre participou numa conferência intitulada "Envelhecer, entre a invisibilidade e a exclusão".
06/06/2006

O meu contributo para o espírito da data.

Efeméride


Soldiers, Sailors and Airmen of the Allied Expeditionary Forces: You are about to embark upon the Great Crusade, toward which we have striven these many months. The eyes of the world are upon you. The hopes and prayers of liberty-loving people everywhere march with you. In company with our brave Allies and brothers-in-arms on other Fronts you will bring about the destruction of the German war machine, the elimination of Nazi tyranny over oppressed peoples of Europe, and security for ourselves in a free world.
Your task will not be an easy one. Your enemy is well trained, well equipped and battle-hardened. He will fight savagely. [...]
The tide has turned! The free men of the world are marching together to Victory!
I have full confidence in your courage, devotion to duty and skill in battle. We will accept nothing less than full victory!
Good Luck! And let us all beseech the blessing of Almighty God upon this great and noble undertaking.

(Mensagem do General Dwight D. Eisenhower às tropas alidas, 6 de Junho de 1944)

Domingo, Junho 04, 2006

A ler com muita, muita atenção

Acaba de ser lançado Crónicas de um peixe fora de água, a compilação dos artigos de Miguel Poiares Maduro no DN.

Eu não li todas as crónicas do - assim reza o epíteto - "mais novo Advogado-Geral de sempre no Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias", coisa que vou tratar de favor muito em breve, mas não posso deixar de recomendar este livro desde já. Poiares Maduro, para além de ser um dos mais brilhantes juristas lusos (sobretudo nas áreas do direito comunitário e da Law and Economics), coisa que felizmente não transparece nos seus artigos nem na sua "legibilidade", é um excelente agitador de mentes. Por um lado, tem uma candura, um deslumbramento racional e uma simplicidade dignos de nota. E por outro, foge do discurso fácil de muito cronista português, assente no bota-abaixo rezingão.


Como diz António Barreto, "um Professor de Direito a escrever sobre o amor... a história... o optimismo... a felicidade... o futebol... o Google... a gastronomia... o cinema! Desenganem-se os que, à vista do índice de matérias, pensarem que este livro é 'refrescante'. Não. O livro é muito sério. O tema é a liberdade. O propósito é um país que o autor gostaria que fosse decente e cosmopolita."

Uma inspiração. Ou se quiserem - e creio que com este cronista a expressão faz mesmo sentido - uma lufada de ar fresco. Gélido.

Spot the differences