Fim
Sei que, por via da regra, os bloggers se levam muito a sério, e não queria fazer deste meu último post uma longa e delicodoce cantilena de despedida. Mas as horas que aqui passei e as pessoas que aqui conheci obrigam-me a escrever umas linhas sobre o que foi este endereço no Blogspot.
O Notas Várias nasceu da minha vontade de escrever "umas coisas", de "ter um blogue"; basta olhar para a ingenuidade e para a procura do tom certo — e já agora, para os posts ridículos — dos primeiros tempos de Notas. Em Junho de 2004 juntou-se ao blogue a nossa primeira aquisição, o meu amigo Tiago Simões de Almeida, que me arrancou muitas gargalhadas com as suas crónicas de pendor social e com quem tive umas quantas (saudáveis) contendas políticas — e sobre filmes portugueses. O meu caro Pedro Rodrigues Bizarro entrou para aqui em Janeiro de 2005 e passou a contribuir sobremaneira para a qualidade do blog com o seu olho clínico no que toca a questões políticas e com os seus remoques pertinentíssimos — "tribalismo acéfalo" só mesmo no que diz respeito a uma certa equipa de futebol! E em Fevereiro desse mesmo ano entram para o team a Cláudia Raposo Correia e a Joana Mendes, duas grandes amigas dos tempos do liceu. A Cláudia trouxe-nos opiniões e constatações desligadas de "escolas" e "tribos" e de um pragmatismo inteligente. A Joana... bem a Joana andou mais ocupada com Santos Agostinhos, Tocquevilles, Maquiaveis, Hobbes e Arendts, mas corre o boato de que chegou a postar no Notas! Em Janeiro de 2005 começou a colaborar connosco o Tiago Geraldo, que apenas conhecia de uma acirrada troca de comentários que tive com ele num outro blogue, do seu A Direito e de um encontro no É a cultura, estúpido! (ou estarei enganado?) a que fui com a Cláudia, amiga comum. Apesar disso, foi aclamado unanimemente pelos demais como co-blogger, e o seu polémico estilo e a sua escrita tão garbosa quanto incisiva enriqueceram ainda mais o Notas. Foram estas pessoas que não deixaram o primeiro escriba afundar-se numa série de posts desinteressantes e fizeram do Notas o que ele foi. Sem esse "contraditório", esse permanente estado de crítica inteligente, o blogue teria sido mais invisível do que é.
Só por isto o Notas Várias foi muito importante para mim. Também foi por outras razões, como o facto de me ter obrigado a ganhar consciência política relativamente a certos assuntos e de ter aprendido muita coisa — sim, aprendi muito aqui na blogosfera — mas conviver com aquelas cinco pessoas (e até no caso de uma delas conhecê-la) neste meio é priceless.
Gostaria ainda de deixar uma palavra de apreço a todos aqueles com quem troquei posts, concordei ou tive polémicas, destacando o Tiago Mendes (já agora, a entrevista ao Miniscente é de antologia) ou o Luís Pedro Coelho (esse bloguista "anónimo" que cumpre seguir atentamente); e de lembrar que foi através dos blogues que tive a benção de conhecer pessoas como o João. A todos os que comentaram, com ou sem a pertinência e o desapego de um /me, zum Beispiel, o meu muito obrigado, extensível ao António Ramos Preto, a pessoa que mais feedback do blog me deu em ambiente offline, e à Sandra Cardoso, a nossa leitora mais fiel.
Quem sabe, voltaremos (eu e os demais desalojados) aos blogues. Mas a única coisa que agora temos como certa é que nas férias do Natal estaremos juntos — num bar ou na casa de um de nós.
Até breve.
Nota: os arquivos do blogue continuarão, evidentemente, online.









